sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

O CICLO DA ÁGUA

A água é a substância mais reciclável na natureza e faz parte essencial de todas as formas de vida dos reinos vegetal e animal, encontrando-se por toda a parte na crosta terrestre e na atmosfera.


O Ciclo Hidrológico



      Fenômeno de circulação da água entre a superfície terrestre e a atmosfera, impulsionado pela energia solar, aliada à gravidade e à rotação da Terra.
      Energia Solar: através da radiação, provoca a evaporação da água para a atmosfera.
      Ventos: gerados pelas diferença de pressão atmosférica.
      Gravidade: causa as precipitações das condensações na atmosfera, a movimentação da água superficial para os rios, lagos e oceanos, e a movimentação da água da superfície para o subsolo.

Balanço Hídrico


      Computando-se o balanço entre a chuva e a água que retorna para a atmosfera pelos processos de evaporação do solo e de transpiração das plantas, tem-se o balanço hídrico, definindo-se as estações seca e úmida.

A imagem mostra como é feito o cálculo do balanço hídrico (S).

Processos do Ciclo Hidrológico

      Precipitação: água que se precipita da atmosfera sobre a superfície terrestre: chuva, chuvisco, granizo, neve.
     Principais características: quantidade (mm ou m3), duração (min. ou hora) e intensidade (mm/h ou m3/h).
      Interceptação : é a parte da precipitação retida acima da superfície do solo, devido principalmente à presença de vegetação.
     Depende da área vegetada e do tipo de vegetação.
      Evaporação: é o processo pelo qual a água passa do estado líquido para o de vapor.
      Depende da:
     Temperatura
     Pressão
     Umidade relativa do ar
     Vento
     Radiação solar
      Transpiração: é a liberação para a atmosfera da água absorvida pelas plantas.
     Depende do tipo de vegetação.
      Infiltração É o processo pelo qual a água se move para baixo das camadas superficiais, em direção ao lençol d’água.

A infiltração depende de:
      Tipo e condição dos materiais terrestres:
     materiais porosos e permeáveis (solos e/ou sedimentos arenosos, rochas fraturadas ou porosas) favorecem e solos argilosos e rochas cristalinas pouco fraturadas (corpos ígneos plutônicos ou metamórficas – granitos e gnaisses) desfavorecem.
     solos espessos retém e controlam a quantidade que inflitra.
      Capacidade de Campo: volume de água absorvida pelo solo, antes da saturação, que não sofre movimentação no solo.
      Tipo de cobertura vegetal: além de diminuir o escoamento superficial, a cobertura vegetal facilita a infiltração.
      Declividade do terreno: quanto maior, menor é a infiltração.
      Precipitação: distribuição anual e volume.

      Ocupação do solo: reduções devido à impermeabilização, desmatamento, compactação, aumento devido a vazamentos da rede de distribuição.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O São Francisco já é um rio intermitente


Roberto Malvezzi (Gogó)

Embora não tenha cortado totalmente seu fluxo de água, o São Francisco já é praticamente um rio intermitente.
A atual defluência – saída de água rio abaixo - da represa de Três Marias, em Minas Gerais, é de 150 m3 por segundo (sic!). Não se espantem, é essa mijada de gato. Portanto, um fiapo de água para o que já foi o grande Rio São Francisco (CBHSF).
Essa realidade é visível a olho nu em municípios como Pirapora. Até a extração de água para abastecimento humano das cidades ribeirinhas já está comprometida. Se formos fala em navegação, pesca, etc., é melhor procurar nas fotografias.
A cidade de Xique-Xique, no médio São Francisco, se abastece de um braço do Velho Chico. Em 40 dias – se o rio não recuperar volume – terá seu abastecimento cortado. A calha central está há mais de trinta quilômetros da cidade. Portanto, Xique-Xique vai conhecer o que é um rio intermitente antes das demais cidades.
Abaixo, em Sobradinho, a defluência está em 1.100 metros cúbicos por segundo. As maiores balsas de transporte de passageiros entre Juazeiro e Petrolina estão encostadas no porto. Não há profundidade para sua navegação.
Gostaria de saber onde andam os políticos, os técnicos, o pessoal do governo que projetou a Transposição e nos diziam com arrogância em todos os debates que a defluência em Sobradinho era - com absoluta segurança - de 1800 metros cúbicos por segundo, portanto, a extração de água para a Transposição seria absolutamente insignificante. Onde será que eles estão?
Em terceiro, abaixo de Xingó, no Baixo São Francisco, a defluência também continua com 1.100 metros cúbicos por segundo, comprometendo até a produção de água para consumo humano e para a bacia leiteira de Alagoas. Sergipanos e alagoanos são os que pagam a conta de toda degradação e irresponsabilidade de quem destrói o São Francisco. Na foz, o mar já adentrou o rio em cerca de 50 quilômetros.
Hoje ainda se fala na Transposição, ela continua na mídia, por muitos considerada ainda como a redenção do Semiárido. Vamos respeitar a ignorância dessa afirmação, afinal o Nordeste e o Semiárido continuam desconhecidos para 90% dos brasileiros, mas vale lembrar que 40% do Semiárido brasileiro estão em território baiano, portanto, longe dos eixos da Transposição.
Quantos ainda falam da Revitalização? Alguém tem alguma notícia?
O São Francisco continua em processo de extinção rápida e fatal. Mesmo assim fala-se em projetos de 100 mil hectares de cana irrigada em Pernambuco, 800 mil hectares de cana irrigada na Bahia, Transposição para outros estados, assim por diante.
Certamente voltará a chover, o rio vai recuperar volume, mas, as secas serão cada vez maiores e mais constantes. A NASA, anos atrás, projetava que o São Francisco seria um rio intermitente em 2060. Realizamos a façanha de antecipar a projeção em mais de 40 anos. 

Texto de: Articulação Popular São Francisco Vivo

terça-feira, 22 de julho de 2014

Vai ter água para todo mundo?

Em 2014, o Estado de São Paulo entrou na maior crise hídrica de sua história. Com sucessivos recordes negativos desde que foram iniciadas suas medições, o Sistema Cantareira, responsável por 45% do abastecimento de água da maior região metropolitana da federação, atingiu suas maiores baixas justamente no verão, época em que mais deveria chover.
O paradoxo climático serviu de justificativa para as autoridades, que lamentaram a falta de chuvas e buscaram soluções apressadas para evitar o tão impopular racionamento. O imediatismo, no entanto, foi sentido pela população. Alguns bairros da cidade já sofrem com frequentes cortes d’água e, apesar do resgate do chamado volume morto, que elevou o nível do Cantareira em 18,5 pontos percentuais em maio, especialistas consideram questão de tempo até que se consuma a última gota do sistema. Ao contrário do tempo seco – atípico para esta época do ano – a crise de abastecimento de água já estava há anos anunciada.
Quando projetado na década de 1960, o Sistema Cantareira previu o abastecimento de água à Grande São Paulo até os anos 2000. Na outorga de 2004, documento assinado pela Sabesp (Companhia de Saneamento do Estado) e pelo Consórcio PCJ (Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), foi acordado que a companhia procuraria formas de reduzir sua dependência do sistema. Em outras palavras, o tempo seco apenas antecipou um problema que, cedo ou tarde, chegaria às torneiras e chuveiros dos paulistas.
Feito o retrospecto histórico, é necessário entender o complexo ciclo da água em uma região violentamente urbanizada. Não o ciclo natural, que todos aprendem nas escolas, mas o ciclo social, que envolve desigualdade, poluição, consumo, desperdício, grandes obras e desapropriações. O projeto 2000 e água, nome que faz referência ao colapso hídrico prenunciado para o novo milênio, propõe-se a contar a inquietante história de pessoas que vivem ou viveram a água em diferentes fases deste processo.
Acesse aqui a reportagem hipermídia “2000 e água”, sobre a crise hídrica de 2014 em São Paulo. O especial conta com vídeos, fotos, textos, entrevistas, infográficos e um mini-documentário. Confira!
Matéria original - 2000 e água
Fonte: Envolverde | 21/7/2014 - 12:01


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Crise de água em SP: outro sistema entra em colapso

Salvo uma reportagem ou outra, pouco tem sido dito sobre o “segundo front da seca” que ameaça São Paulo.
O Sistema Alto Tietê está secando cada vez mais rápido.
O sistema Alto Tietê, que também abastece a região metropolitana de São Paulo, está reduzido a 24,3% da capacidade. O Governo Estadual insiste em evitar racionamento e a mídia mantém inacreditável silêncio — mas a imagem é chocante.
O segundo maior complexo de reservatórios destinados ao abastecimento da Grande SP, que está servindo como “complemento” para áreas antes conectadas ao Sistema Cantareira, para reduzir a retirada de água na situação de emergência em que este se encontra, não está suportando nem o acréscimo inicial feito há meses e, muito menos, as novas sangrias feitas a partir do novo agravamento da crise.
O Tietê representa metade da produção do Cantareira e leva 15 m³/s à estação de Taiaçupeba.
A queda no sistema passou de 0,1% ( meio bilhão de litros) por dia para 0,2% e, nos últimos dias, já bateu em 0,3%, ou 1,5 bilhão de litros a menos, diariamente.
Restam 24,3% dos reservatórios, ou cerca de 100 bilhões de litros.
O estado da represa de Jundiaí é este que você vê aí na foto.
E a situação é o que descreve a repórter Sabrina Pacca, num relato do qual transcrevo um trecho de poucos dias atrás, publicado há dias:
“É desolador o cenário das cinco barragens que compõem o Sistema Produtor Alto Tietê (Spat). Uma imensidão de área, antes alagada, hoje vazia. A sensação, em alguns pontos, é de se observar um pântano. Em outros, de caatinga. Os peixes desapareceram, para desgosto dos pescadores. Moradores já se veem podendo usar, a pé ou a cavalo, antigas estradas que estavam debaixo d´água há mais de 20 anos e que, com a estiagem, reapareceram, a exemplo da barragem do Rio Jundiaí, onde a realidade é a mais impressionante delas.
Pela terceira vez, nesse semestre, a reportagem de “O Diário”percorreu as cinco represas do Spat. Elas nunca estiveram tão secas e as comunidades que vivem no entorno nunca estiveram tão assustadas. Parece que o temor pela falta de água nas torneiras tomou conta daquelas pessoas, mais próximas a essas paisagens angustiantes.
“Todo mundo deveria visitar aqui. A Prefeitura deveria fazer excursões. Só vendo o que a gente vê, todos os dias, para que se tome consciência de que a água vai acabar mesmo e que vamos sofrer demais. É o sinal do fim dos tempos e está na Bíblia. Não tem jeito, a gente tem que economizar, pelo amor de Deus”, rogou o borracheiro, Elias Souza Alves, de 55 anos, que trabalha às margens da represa de Taiaçupeba, em Jundiapeba, que tem uma área de inundação de 19,36 km². (…)”
Como se trata da água que vai abastecer uma “pequena cidade”, São Paulo, e pouquíssima gente, apenas 4,5 milhões de pessoas, a gente tem de recorrer ao bravo Diário de Mogi, onde trabalha a repórter, e a seu fotógrafo Edson Martins, para ver e entender o que está se passando.

Não é assunto para um Jornal Nacional, não é?

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Excursão à Fazenda Acangaú

Foto do grupo de excursão à Fazenda Acangaú, realizada em 31/05/2014, turma do 3º Período de Geologia.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Aprenda a Cuidar das Águas do Brasil

Para a Agência Nacional de Águas, preservar as águas do Brasil vai muito além das torneiras: a responsabilidade de garantir o uso sustentável dos recursos hídricos é de todas as pessoas e setores da economia que utilizam as águas dos mananciais.

A melhor forma de cada um cuidar deste importante recurso natural é participar de sua gestão. Para isso, é preciso conhecer a Lei das Águas, entender o que é uma bacia hidrográfica, o que é a outorga de direito de uso, entre outros conceitos e ferramentas.

Para explicar tudo isso e em celebração à semana do Dia Mundial do Meio Ambiente, a ANA lança seis cursos gratuitos a distância e uma série de dez animações que explicam os conceitos básicos para quem quer participar da gestão das águas e exercer seu poder de cidadão. 

Matricule-se nos cursos gratuitos da ANA. Clique em: www.aguaegestao.com.br  

Acesse os vídeos em: 


Assista, curta e compartilhe conhecimento.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Geologia e Meio Ambiente, artigo de Roberto Naime

 [EcoDebate] A geologia engloba todo estudo da Terra, inclusive a Tectônica de Placas ou deriva continental. Mas tradicionalmente se associa a geologia o estudo das rochas. Existem 3 grupos fundamentais de rochas na natureza: rochas ígneas ou magmáticas, rochas sedimentares e rochas metamórficas.
As rochas ígneas se formam do resfriamento e cristalização dos magmas, que são fusões de rochas que ocorrem na base da crosta terrestre ou no topo do manto. Este processo pode ocorrer em profundidade, quando as rochas se denominam plutônicas ou em superfície, quando são chamadas vulcânicas.
O resfriamento dos magmas em profundidade originando rochas plutônicas ocorre em milhões de anos e produz rochas com granulação grosseira, uma vez que os elementos químicos podem buscar pares com maior afinidade de tamanho de raio iônico ou eletronegatividade. Os exemplos mais comuns são o granito e o gabro.
Ao contrário, o resfriamento em superfície, através dos magmas que tem pressão suficiente para romper com os materiais superiores e atingir o espaço subaéreo, produz rochas de granulação fina, pois os elementos químicos não têm possibilidade de formarem grãos grandes. Estas rochas apresentam ainda planos de quebramento ou descontinuidade físicos, representados pelas diáclases que são quebramentos devidos ao choque térmico produzido pelo resfriamento rápido dos magmas. Os exemplos mais comuns são o basalto e o riolito.
Existem ainda rochas ígneas intermediárias, que sofrem resfriamento na porção média da crosta e exibem características mistas. Como exemplo são citados os diabásios.
As rochas sedimentares são a transformação dos sedimentos acumulados em rios, mares, lagoas e dunas, através do processo de diagênese em rochas sedimentares. Diagênese é o conjunto de transformações físico-químicas das rochas, que transformam os sedimentos em rochas sedimentares, com o soterramento dos materiais que propicia aumento de temperatura e pressão.
Existem rochas sedimentares resultantes da diagênese de materiais de granulação fina, denominadas pelíticas como argilito, siltito e folhelhos; rochas sedimentares de granulação grosseira como arenitos e conglomerados e rochas sedimentares de natureza química, precipitadas em corpos de água e depois diagenizadas, como calcáreos e ainda as diatomáceas e radiolaritos.
As rochas metamórficas são materiais de transformação das outras rochas em ambientes de elevada pressão e temperatura patrocinados pela Tectônica de Placas, principalmente nas margens destrutivas, de consumo ou subdução.
As rochas metamórficas desenvolvem deformações dos materiais para compensar os aumentos de temperatura e as elevações direcionais de pressão. Estas deformações produzem estruturas planares nas direções de menor pressão, que são denominadas xistosidades nas rochas de baixo grau e bandeamentos nas rochas de alto grau.
As rochas de baixo grau recebem este nome porque as transformações metamórficas ocorrem em nível epicrustal, com menor profundidade. Os exemplos são os xistos, filitos e ardósias.
As rochas de alto grau são transformadas em níveis crustais médios ou profundos, e os exemplos são o gnaisse, o migmatito e os mármores.
Existem ainda rochas metamórficas denominadas cataclásticas que se desenvolvem no interior das zonas de falhamentos ou quebramentos, quando os fenômenos ocorrem. Exemplos são o quartzo de falha, a brecha e o milonito.
De acordo com sua natureza genética, e em função de sua formação e desenvolvimento, as rochas desenvolvem características próprias que afetam os modelos ambientais de interação com o meio biológico e o meio antrópico.
Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.


EcoDebate, 03/06/2014